Existe mais do que uma história

Crédito da imagem: Mamadi Doumbouya for Vulture

Nossa história é nossa maior virtude. Chimamanda Adichie Ngozi sabe bem disso porque sentiu por anos o apagamento na sua pele: ela, uma mulher negra e nigeriana, passou parte da infância lendo apenas livros norte-americanos e britânicos, cheios de histórias com as quais não conseguia se identificar: pessoas brancas, consumindo produtos que ela não conhecia, vivendo rotinas que não se pareciam com a sua realidade. Hoje, ela é uma das principais escritoras do mundo e suas obras foram traduzidas para mais de 31 países.


Esquete sobre a expressão ˜Comercial de Margarina˜ feita pelo grupo de humor Porta dos Fundos

Em algum momento da sua vida, você já deve ter escutado a expressão ˜comercial de margarina˜. É uma expressão usada no mundo da publicidade quando uma família que os publicitários consideram perfeita e ideal aparece nas telinhas pela propaganda. Nesses comerciais, todos estão reunidos na sala de jantar, farta, repleta de quitutes do bom e do melhor. Todos sorriem alegremente e se felicitam pela presença, numa alegria ímpar. 

Mas esse padrão narrativo, estético e conceitual de pessoas brancas felizes e afortunadas não está apenas no mundo da publicidade. Está na literatura, nos filmes, na televisão e em todas as camadas da sociedade. O olhar ocidental sobre a vida, a cultura e as relações refletem apenas uma parte da realidade.  As outras, assim, eram e ainda são marginalizadas, colocadas nas sombras do esquecimento e na escuridão das mazelas. 

A história única está mais presente do que se imagina. Um brasileiro entrevistou norte-americanos para identificar o que eles pensam sobre o Brasil.  Entre as respostas, menções às mulheres, ao futebol, a uma floresta chuvosa, as cores verde e amarelo e ao entusiasmo do povo. Mas a resposta mais surpreendente foi a de um professor de história. 

Creditado como Mr. Farese, o professor de história respondeu com um reforço de estereótipo que os estrangeiros costumam ter sobre o país. Ele disse: ˜Eu sei que tem uns lugares perigosos para viver lá que é melhor você ter um guarda-costas˜. 

A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história.

Chimamanda Ngozi Adichie no evento TEDGlobal, em 2009.

Os perigos de uma história única não está nela, em si. Mas na falta das demais. Com a exclusão das outras histórias, pessoas são deixadas de lado, culturas são excluídas e a desigualdade passa a ser mais presente. A nossa história é a nossa maior virtude! Mas, as essas histórias passam despercebidas, sem voz, reconhecimento e representatividade. 

Chimamanda Ngozi Adichie é uma mulher, negra, nigeriana, que não se identificava nos livros, nos filmes, nas propagandas… Ela sentia que era preciso contar essas histórias escondidas e excluídas pela história única. Histórias com um novo olhar, com uma nova perspectiva!

Palestra de Chimamanda Ngozi Adichie no evento TEDGlobal, em 2009. 

Hoje, ela é uma das principais escritoras no mundo! Os seus livros são premiados pelo mundo e ela tem a sua obra traduzida para mais de 31 países! 

Hoje é o #DiadaMulherAfricana! 

Chimamanda é uma das Mulheres Que São a História! Apresentamos a história dela e de outras mulheres incríveis na Coleção Humanas

1 combo = 1 dia de aula para mulheres via Rede Mulher Empreendedora

Qual mulher africana mais te inspira? Conte para a gente nos comentários.

*créditos da imagem de Chimamanda Ngozi Adichie em destaque: Getty Images.

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